DIVULGA CIÊNCIA

Valorizando os periódicos brasileiros através da divulgação científica

Para valorizar a ciência com relevância local e regional

Guédon (esq.) defende a ciência policêntrica; Jorge González fala sobre a cultura da "paperização".

Guédon (esq.) defende a ciência policêntrica; Jorge González fala sobre a cultura da “paperização”.

Por Germana Barata, coordenadora do projeto Divulga Ciência

Na última segunda-feira, 30, o Divulga Ciência esteve na mesa-redonda Divulgação do conhecimento científico: caminhos, critérios e dificuldades para indexação de revistas científicas em Comunicação durante o XIV Congresso Iberoamericano de Comunicação (Intercom) que ocorre até dia 2 de abril na USP. Dentre os participantes destacamos o canadense Jean-Claude Guédon, historiador da ciência e professor da Universidade de Montreál, que defendeu iniciativas que reforcem as parcerias e a produção científica de países periféricos que fortaleçam uma estrutura policêntrica da ciência.

A crescente pressão que a comunidade acadêmica e periódicos científicos vêm sofrendo para melhorar os critérios de qualidade da produção científica e se aproximarem do padrão internacional estabelecido por países desenvolvidos nos últimos anos tem alimentado a cultura da “paperização”, como define Jorge González, da Universidade Nacional do México, mediador da mesa-redonda.

Guédon apontou para a necessidade dos países do Sul estabelecerem laços mais fortes entre si — em um cenário em que países periféricos como o Brasil estabelecem mais parcerias com EUA e Europa do que com os vizinhos da América Latina. De acordo com ele, a internacionalização normalmente significa publicar em revistas internacionais, ser visto (visibilidade) e trabalhar com pesquisadores de países desenvolvidos. Neste cenário, trabalhos relevantes regional e localmente não encontram espaço nas revistas de alto fator de impacto e acabam sendo negligenciados.

“Temos que começar a pensar a organização da comunicação científica com uma atenção importante aos mecanismos que permitem selecionar os problemas da ciência”, afirmou em espanhol. Para Guédon, o mundo científico não estar centrado nos países desenvolvidos — que acabam definindo as questões relevantes para a investigação científica —, mas é necessário pensar a ciência globalizada como uma estrutura policêntrica, em que outros valores são criados fora do centro. Com isso, ele enfatiza que as parcerias com o Norte podem continuar, mas coexistindo com as prioridades regionais.

O professor canadense elogiou iniciativas de acesso aberto como o SciELO, um dos maiores repositórios de artigos científicos do mundo, por conseguir subverter a estrutura centro-periferia. Mas, por outro lado, os critérios de publicação que estabelece acabam pressionando para que o Brasil se junte ao centro,“conforme demonstra em sua pesada confiança no fator de impacto”. O fator de impacto é um indicador que estabelece a média de citações que os artigos publicados em uma revista científica recebe durante os dois anos anteriores e tem sido utilizado como indicador de qualidade das revistas científicas. “A culpa não é da SciELO; o que ocorre é que desta maneira ela reage aos modelos de avaliação que prevalecem no Brasil”, justificou. O fator de impacto tem sido incansavelmente usado para pontuar a produção científica de universidades brasileiras, para estabelecer critérios de avaliação como o Qualis da Capes (que avalia as revistas científicas brasileiras) e pressionando os cientistas e pesquisadores a fazerem suas escolhas por publicações através deste indicador.

Uma solução viável para o Brasil e América Latina, acredita Jean-Claude Guédon seria investir em um mega periódico (megajournal) que reunisse periódicos de várias áreas do conhecimento aos moldes do prestigioso Plos One, que soma oito publicações de variadas áreas do conhecimento, com acesso aberto, online, com rápido processo de avaliação e publicação, sem restrição no escopo da pesquisa, e mantendo um padrão científico alto.

Guédon participou da mesa-redonda junto com os pesquisadores no Confederação Ibero-Americana das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação dentro do XIV Intercom que segue até dia 2 de abril na USP. Para informações sobre a programação completa, clique aqui.

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