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Divulga Leitura – Cirurgias plásticas e psicologia

cirurgia plastica

“O que as cirurgias plásticas podem nos dizer sobre corpos, padrões de beleza, relações de gênero?”, questiona Daniela Feriani em sua resenha sobre o livro O psicólogo com o bisturi na mão: um estudo antropológico da cirurgia plástica, de Andrea Tochio.

Ao longo de todo o texto, publicado na revista Cadernos Pagu (n. 43, 2014), a autora procura responder a este questionamento embasada nas propostas do livro. E uma resposta se mostrou fundamental: autoestima. “A preocupação com a aparência, a insatisfação com o corpo, os complexos, os incômodos, as dores físicas e emocionais, o peso do olhar do outro, a inadequação de partes do corpo aos modelos tidos como adequados são questões comuns nas narrativas e as cirurgias aparecem como tentativas de reparar tais desconfortos”, relatou Feriani.

E continuou: “Nesse sentido, mesmo uma cirurgia estética, como uma prótese de silicone, por exemplo, não é vista apenas voltada para a beleza e a aparência: é também reparadora, voltada para a saúde, o cuidar de si, o sentir-se bem, sendo a baixa autoestima vista ‘como uma espécie de doença que a cirurgia poderia curar’”.

Porém, para Feriani, o ponto forte do livroé ter olhado para um contexto de certa forma negligenciado no imaginário sobre as cirurgias plásticas — o de um hospital público voltado, principalmente, para classes populares —, o que permitiu trazer novos elementos para a compreensão do tema”.

Outro questionamento interessante levantado por Tochio no livro, é a de que existe uma dissolução das fronteiras entre “estética” e “reparação”, também presente nas falas dos médicos e residentes. “Ao afirmar, durante uma palestra, que ‘o cirurgião plástico é o psicólogo com o bisturi na mão’ — daí o título do livro —, Ivo Pitanguy acredita que a cirurgia plástica restaura a correlação entre o psi e o físico do paciente, diluindo a oposição entre mente e corpo”.

Assim, a noção de beleza se expande e se conecta à de bem-estar, saúde e felicidade numa tentativa de livrar a cirurgia plástica de um significado meramente ligado à vaidade e à futilidade, sugeriu Feriani.

Apontada pela resenha como uma das mais interessantes análises de Tochio, o discurso dos pacientes e dos cirurgiões sobre a plástica funciona como um acionador e manipulador de elementos na tentativa de realizar o que é desejado. “Em outras palavras, há um jogo retórico, marcado por relações de poder e valores morais, no qual ora se dissolve a separação entre estética e reparação, como justificativa, por exemplo, para se fazer a cirurgia; ora se faz uso dessa separação para recusar o procedimento”.

Resenha: O psicólogo com o bisturi na mão: um estudo antropológico da cirurgia plástica
Autora: Daniela Feriani
Revista: Cadernos Pagu (Unicamp)

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