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Edições Anteriores – A longevidade da MPB

Caetano Veloso e Chico Buarque, grandes nomes da MPB, em show na década de 1980. Crédito Revista Época

Caetano Veloso e Chico Buarque, grandes nomes da MPB, em show na década de 1980. Crédito Revista Época

Por que, diante de tantas homenagens aos 50 anos de Bossa Nova, 40 anos de Jovem Guarda, 20 anos de Rock Brasil e muitos revivals da cena dos anos de 1980, da discoteca, e até da música infantil, nunca houve uma homenagem a artistas da “MPB clássica”?

A partir dessa provocação, em uma aula de pós graduação na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, que o autor do artigo Sobre a MPB e a longevidade, publicado na revista Novos Olhares (vol. 1, n.1, 2012) decidiu estudar o tema e tentar responder a pergunta de seu professor.

O autor começou sua abordagem através de um levantamento de dados, para demonstrar que os artistas da MPB se mantiveram em evidência durante últimos 44 anos — de 1965 a 2009 — e o porquê desta manutenção. Para isso, ele utilizou as estatísticas de venda de discos produzidas pela empresa Nelson Oliveira Pesquisas de Mercado (Nopem) entre 1965 e 1999.

E constatou: apenas nas listas dos anos de 1986, 1996 e 1998 não consta o nome de nenhum dos grandes artistas, como Chico Buarque (que já foi tema do Divulga Ciência), Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gal Costa e Gilberto Gil.

Em seguida, o autor analisou a participação dos artistas citados acima nas trilhas sonoras das novelas transmitidas pela Rede Globo entre 2000 até o final do primeiro semestre de 2009. “As 48 telenovelas transmitidas pela emissora no período analisado possuíam 50 músicas dos cinco artistas em suas trilhas sonoras, considerando-os apenas como intérpretes”, argumentou o estudo.

O artigo ressaltou também o fato “de que estes cinco artistas surgiram em um período em que a própria indústria cultural estava dando seus passos iniciais no Brasil e ainda não havia se cristalizado nem criado uma segmentação expressiva. Também é importante lembrar o caráter inovador destes artistas e das propostas apresentadas por eles que foram além da música, ou utilizando a música como instrumento para críticas sociais e políticas”.

Entre outros fatores, o autor ressaltou a importância da televisão na consolidação destes artistas, além da contribuição que a indústria fonográfica deu para a longevidade da MPB e de seus músicos.

O autor conclui então que os fatores apontados “contribuíram de alguma forma para que estes artistas em particular continuassem em evidência”, com muita exposição midiática que poucos obteriam hoje. Dessa forma, os músicos da MPB são sempre apresentados às novas gerações, com seus trabalhos clássicos e atuais.

Artigo: Sobre a MPB e a longevidade
Autor: José Eduardo Gonçalves Magossi
Revista: Novos Olhares (USP)

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Publicado às 15 de abril de 2015 por em Edições Anteriores e marcado , , , , , , , , , .
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