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Homeopatia: efeito placebo ou falta de conhecimento?

Por Carolina Medeiros

Em 2006, o Ministério da Saúde implementou a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), que prevê o atendimento gratuito da chamada medicina integrativa, que engloba a homeopatia, fitoterapia e acupuntura. Desde então, os números de pacientes que fazem tratamento homeopático tem crescido no país. Em outras palavras, o número de atendimentos em homeopatia no SUS saltou de 257.508, antes da Política Nacional, para 327.744, três anos depois, um crescimento de 27%.

Segundo o Ministério da Saúde, em 2014, já passava de 4000 as unidades de atendimento que oferecem esse tipo de atendimento, sendo que 40% delas contam ainda com a distribuição de medicamentos homeopáticos. Acredita-se que a Política Nacional tenha incentivado mais pessoas a buscarem tratamento homeopático na rede pública, isso porque, segundo o Ministério da Saúde, houve um aumento de 27% entre os anos de 2000 e 2010.

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Segundo o Ministério da Saúde, o país já conta com mais de 4000 unidades de atendimento em homeopatia

Apesar do cenário favorável, a eficácia da homeopatia sempre gerou grandes polêmicas, não só no Brasil. Um dos grandes debates surgiu em 2005, com a publicação de um artigo na revista médica The Lancet, no qual a conclusão apontava para a ineficácia da homeopatia.

E novamente, no final de 2015, a questão ganhou espaço na mídia, dessa vez porque, em novembro passado a comissão de Ciência e Tecnologia do Parlamento Britânico emitiu um relatório  afirmando que remédios homeopáticos não têm eficácia. A nova polêmica levou o governo Britânico a estudar a possibilidade de realizar um plebiscito para definir se o país continuará financiando a distribuição de remédios homeopático.

Os dados do relatório da comissão foram baseados na comparação entre a eficiência das pílulas homeopáticas ao placebo, que são cápsulas sem efeito medicamentoso, usadas para comparação de eficiência com outros remédios.

Publicações brasileiras também buscaram discutir a questão da eficiência da homeopatia na cura de diversas doenças. É o caso do estudo “Homeopatia: uma abordagem do sujeito no processo de adoecimento”4, publicada na Revista Ciência e Saúde Coletiva da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) em 2008. Eliane Cardoso de Araújo, especialista do local tal, buscou, por meio de entrevistas com 11 médicos e 13 pacientes de dois centros de saúde da cidade de São Paulo, propiciar novos sentidos para a compreensão do adoecimento e para a perspectiva da cura.

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OMS alerta para o uso de homeopatia em caso de doenças como a dengue e o zika vírus

A partir do relato desses pacientes, Araújo identificou que o tratamento homeopático proporciona a construção de um espaço no qual, pacientes e médicos compartilham experiências a cerca das doenças, o que possibilita “um projeto de recuperação da saúde”, afirma. Ou seja, o estudo concluiu que os pacientes que fazem uso de homeopatia, encaram a doença como algo que integra a vida do paciente. “Isso porque o paciente é visto de forma mais ampla do que como um corpo expondo uma doença, e esse pensamento faz com que esteja presente a perspectiva do cuidado, e não apenas os propósitos de controlar, tratar ou mesmo curar problemas específicos”.

Outro dado relevante sobre a homeopatia é o elevado índice de pesquisas dedicadas a esse tipo de tratamento médico. Um rápida busca na base SciELO usando a palavra homeopatia, encontramos 156 artigos, ao usar os termos eficácia homeopatia, esse número cai para 17. Diante de tantas controvérsias, a OMS, alerta que a homeopatia não deve ser usada como única forma de tratamento para as doenças tropicais, como malária, tuberculose, Aids, influenza, dengue, chikungunya e zika vírus, coloca a vida dos pacientes em risco. A OMS defende que nesses casos tanto pacientes quanto médicos devem optar pelos tratamentos convencionais.

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Publicado em 15 de março de 2016 por em Divulga Ciência.

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