DIVULGA CIÊNCIA

Valorizando os periódicos brasileiros através da divulgação científica

Divulga Cientista – Nise da Silveira

Crédito: Museu da República/RJ

Crédito: Museu da República/RJ

O Divulga Ciência traça o perfil de Nise da Silveira, importante médica psiquiatra brasileira, aluna do renomado psiquiatra e psicoterapeuta suíço Carl Jung.

Nascida em Maceió, em 15 de fevereiro de 1905, Nise dedicou sua vida à psiquiatria e manifestou-se radicalmente contrária às formas agressivas de tratamento de sua época, tais como o confinamento em hospitais psiquiátricos, eletrochoque, insulinoterapia e lobotomia.

Em 1926 se formou em Medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia — a única mulher entre os 157 homens desta turma, e uma das pioneiras na profissão no Brasil.

Um ano após o término da graduação, e já casada com o sanitarista Mário Magalhães da Silveira, se muda para o Rio de Janeiro, onde engajou-se nos meio artístico e literário. É na capital fluminense onde começa atuar como psiquiatra, após ser aprovada num concurso para psiquiatra e a trabalhar no Serviço de Assistência a Psicopatas e Profilaxia Mental do Hospital da Praia Vermelha.

Durante a Intentona Comunista — tentativa de golpe contra o governo de Getúlio Vargas realizado em novembro de 1935 pelo  Partido Comunista do Brasil — foi denunciada por uma enfermeira pela posse de livros marxistas. A denúncia levou à sua prisão em 1936 no presídio da Frei Caneca por 18 meses.

No presídio ela conheceu Graciliano Ramos, tornando-se uma das personagens de seu livro Memórias do Cárcere. De 1936 a 1944, Nise da Silveira permaneceu com seu marido na semi-clandestinidade, afastada do serviço público por razões políticas.

Em 1944 Silveira foi reintegrada ao serviço público e iniciou seu trabalho no Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II, no Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro. Era o retorno à sua luta contra as técnicas psiquiátricas que considerava agressivas aos pacientes. Como exemplo, recusando-se a aplicar eletrochoques em pacientes.

Por sua atuação contra os métodos psiquiátricos da época, a cientista foi transferida para o trabalho com terapia ocupacional, atividade então menosprezada pelos médicos. Assim em 1946 fundou nesta instituição a Seção de Terapêutica Ocupacional.

Começava então a revolução do modelo de tratamento psiquiátrico praticado no país: no lugar das tradicionais tarefas de limpeza e manutenção que os pacientes exerciam sob o título de terapia ocupacional, ela criou ateliês de pintura e modelagem, com a intenção de possibilitar aos doentes reatar seus vínculos com a realidade através da expressão simbólica e da criatividade.

Nise da Silveira também introduziu e divulgou no Brasil a psicologia junguiana. Interessada em seu estudo sobre os mandalas, tema recorrente nas pinturas de seus pacientes, ela escreveu em 1954 a Carl Gustav Jung, iniciando uma proveitosa troca de correspondência.

Nise da Silveira estudou no Instituto Carl Gustav Jung em dois períodos: de 1957 a 1958; e de 1961 a 1962. Retornando ao Brasil após seu primeiro período de estudos junguianos, formou em sua residência o Grupo de Estudos Carl Jung, que presidiu até 1968.

Durante sua carreira, Nise foi membro fundadora da Sociedade Internacional de Expressão Psicopatológica (Societé Internationale de Psychopathologie de l’Expression), sediada em Paris.

Sua pesquisa em terapia ocupacional e o entendimento do processo psiquiátrico através das imagens do inconsciente deram origem a diversas exibições, filmes, documentários, audiovisuais, cursos, simpósios, publicações e conferências.

Em reconhecimento a seu trabalho, Nise foi agraciada com diversas condecorações, títulos e prêmios em diferentes áreas do conhecimento, como a Ordem do Rio Branco no Grau de Oficial, pelo Ministério das Relações Exteriores (1987); Prêmio Personalidade do Ano de 1992, da Associação Brasileira de Críticos de Arte; Medalha Chico Mendes, do grupo Tortura Nunca Mais (1993); Ordem Nacional do Mérito Educativo, pelo Ministério da Educação e do Desporto (1993), entre outros.

Escreveu, entre outros, o importante livro Jung: vida e obra, publicado em primeira edição em 1968. Nise da Silveira morreu no Rio de Janeiro, em 30 de outubro de 1999, aos 94 anos.

O Divulga Ciência sugere três artigos sobre a obra e carreira de Nise de Silveira, a cientista da semana.

Artigo: Clínica, pesquisa e ensino: Nise da Silveira e as mutações na psiquiatria brasileira
Autores: Walter Melo e Ademir Pacelli Ferreira
Revista: Revista Latino Americana de Psicopatologia Fundamental (vol. 16, n. 4, 2013 — Associação Universitária de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental)

Artigo: Sobre o tempo da loucura em Nise da Silveira
Autoras: Jacileide Guimarães e Toyoko Saeki
Revista: Ciência & Saúde Coletiva (vol. 12, n. 2, 2007 — Associação Brasileira de Saúde Coletiva)

Artigo: Nise da Silveira: imagens do inconsciente entre psicologia, arte e política
Autoras: João A. Frayze-Pereira
Revista: Estudos Avançados (vol. 17, n. 49, 2003 — USP)

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